segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

New Order em São Paulo - Ultra Music Festival

          Difícil comentar sobre um show de uma banda tão essencial e importante como o New Order. Como não se emocionar tendo na sua frente uma banda com mais de 30 anos de história e músicas como Ceremony (2ª no Set), True Faith, Bizarre Love Triangle e Blue Monday? Que foi um dia Joy Division, que soube se recriar (renascer?), fez parte da sua vida e criou uma marca registrada e influencia gerações e gerações de músicos, bandas e dj's até hoje, etc etc etc...

Se no inicio o som não estava 100%, meio embolado e a voz de Bernard Sumner não é aquela coisa ao vivo, os enfileirados 9 hits da curta apresentação do New Order neste sábado em São Paulo provaram terem mais força e carisma do que jamais terão todo o line Up do UMF junto. O vocalista, sempre muito tímido e sério, estava comunicativo e claramente feliz em estar ali. Conversou com o público, dançou sua dança desengonçada, reclamou com os problemas de som e se esforçou bastante. A banda estava à vontade e o retorno de Gillian depois de 10 anos afastada foi muito comemorado pelos fãs. Óbvio que Peter Hook faz uma falta tremenda, mas Tom Chapman não comprometeu no baixo.

Em sua 3ª passagem pelo país (as outras foram em 1988 e 2006), o New Order me proporcionou uma noite inesquecível. Acredito que também para a massa de fãs em frente ao palco. Mesmo com um Set tão curto (Faltaram 1963, o hino Joydivisiano Love Will tear us apart e muito mais). Uns hipnotizados, alguns trintões e quarentões pulando feito adolescentes. Comovente. Era New Order em São Paulo e dessa vez não os perdi.

E não. Não acompanhei o bate estaca das outras atrações, com exceção do Soulwax, que antecedeu o N.O e que é muito bom ao vivo, som poderoso, um rock eletrônico, bateria acústica, baixo, muitos synths, porém sem vocais (só algumas intervenções distorcidas e processadas), o que torna o show distante do público. Não há mensagem, não há sentimentos, não há interação, troca...ou seja, não, não é rock. Assim como o público de festival.

Quanto ao Ultra Music Festival, muito bem organizado, com muitos bares, banheiros, poucas filas e preços "não tão" abusivos, está aprovadíssimo, como grande evento, tirando, claro, o fato imperdoável de trazer um New Order em plena turnê de retorno para uma mísera 1 hora de show.